Sentimentos e auto aceitação #mãenareal

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Sabe aquelas sextas feiras que você acorda cansada, com o corpo doendo de fazer tudo o que você deveria fazer no dia anterior?
sabe aquela sensação de acordar agradecida por ser sexta feira de saber que está quase ali o sábado, sabe?
Assim que eu me sinto as sextas feiras de semanas difíceis, de semanas em que não encontrei tempo para me aceitar, em que eu não fiz nada devido a fadiga pelo mal humor e por todos os motivos que a semana fez os dias darem errado.

Sentimentos e auto aceitação depois da maternidade é algo complicado de lidar, a mudança nas nossas vidas de mães é tão complexas as vezes que você procura encontrar em coisas palpáveis a felicidade você não está se encontrando dentro de si mesma. Não estou dizendo que a maternidade a torne infeliz, longe disso se você ama seus filhos, mas há momentos infelizes, a momentos em que a auto aceitação em que o  “eu” anterior não encontra tempo para se sentir livre para respirar outros ares, para se sentir liberta de si mesma, livre de se sentir inferior a outras mulheres que aparentemente estão vivendo uma vida melhor do que você, mas você não sabe é apenas o que seus olhos querem ver.

Segundo o dicionário a palavra aceitação é:.  substantivo feminino

  1. ação ou efeito de aceitar.

 

ato ou efeito de concordar, de anuir; aquiescência, anuência.
“alegrou-nos sobremaneira sua a. ao convite”

 

facilidade em ser bem recebido e acolhido (pelo público); receptividade.

“o novo modelo produzido teve excelente a.”

Mas a parte mais difícil pós maternidade é o “EFEITO DE ACEITAR”, aonde passamos por períodos pós parto, pós aleitamento, onde nos encontramos desamparadas pela força que existia em nós mesmas, estamos exaustas de rótulos e definições de como deve-se ser a mãe perfeita, esgotadas de dar o nosso melhor e ainda assim parecer que sempre achamos quem ainda faça melhor que nós mesmos, não nos conformarmos com as nossas falhas maternas, não queremos nos sentir incapazes e fracas, mas parece que a mudança de mulher individual para “mãe” nos enfraquece como mulher para que assim a maturidade materna seja mais efetiva, não sei se é isso mas talvez seja, talvez o que nos faz perder as forças seja esquecer de quem somos e viver apenas da própria cria, é viver apenas para alguém todos os dias e esquecer de si mesma.

E de todos esses efeitos pós maternos que eu tenha passado, o mais difícil tem sido me aceitar em um corpo de mãe, é entender que meu metabolismo não funciona mais da mesma forma, é tentar me aceitar com a cicatriz de uma cesariana, com os seios flácidos pós aleitamento. E não me permito mais me olhar no espelho e me sentir linda, eu ainda não achei a minha beleza materna, ainda não encontrei eu mesma como sou hoje, porque eu não queria ter ficado acima do peso, não queria que o corpo mudasse queria que ele ficasse como era aos 20 e não que a maternidade o transformasse, talvez essa mudança corporal no momento era a única metamorfose na minha vida que eu não queria que existisse.

E essa auto negação de si mesmo talvez para você pareça egoísmo, mas no exato momento em que você se torna mãe sua cabeça nunca pensa em você, ao acordar e ao dormir você está pensando no filho, você está 24 horas sem intervalos pensando em tudo o que ele é e em quem ele vai ser, você vive em torno de pensar em seu filhote.
Toda essa abdicação de si mesma com o tempo faz você perceber que você se esqueceu de quem era já não sabe mais lidar com o seu eu, já não sabe mais agir naturalmente como você mesma é.

Todos esses sentimentos complexos e essa auto negação é uma fase difícil e que nem uma outra mãe talvez divida com você. Sua vó e sua mãe não ti contam isso, não querem que se sinta assim, talvez por isso que não contam, talvez porque se sintam feliz em você ser mãe e não imaginam que você que eu e que outras mães do mundo em inúmeros momentos da maternidade se auto negam porque não conseguem se auto aceitar.

Auto estima materna precisa ser trabalhada, precisa ser compreendida conversada e estudada. Porque mudanças como ser mãe e ser mulher ao mesmo tempo necessita de amor próprio, mas esse amor próprio some quando se ama mais um filho do que a si mesmo. E como se encontrar?
Ainda não tenho a resposta para isso, mas espero que nós mães nos encontramos como mulher o mais rápido possível para que a auto aceitação seja efetiva, para que os nossos olhos não enxerguem mais apenas a felicidade do próximo mas a própria felicidade, afinal se auto amar é mais do que necessário é fundamental.